quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Resenha: A Revolução dos Bichos – George Orwell

Autor: George Orwell
Edição: Companhia das Letras (2007)
Nota: 5,0/5

Resumo do livro

Um dia, o velho Major, um velho porco da Granja do Solar, tem um sonho de uma terra sem seres humanos, onde reina a igualdade entre os animais. Logo convocou uma reunião e propôs uma revolução futura, por meio da qual se livrariam da tirania do homem e viveriam bem. Pouco tempo após a morte do Major, a revolução estoura de forma inesperada. Os animais, liderados pelos porcos, tomam a granja de Jones, que vira Granja dos Animais. A nova vida se inicia, com novos mandamentos que pregam a igualdade entre todos, bem como o espírito de amizade. Os animais vão fazer a colheita do feno, mas quando voltam, o leite ordenhado das vacas sumiu.

Na nova vida, cada animal se esforçava ao máximo – até os patos. Os porcos, contudo, eram a força intelectual. Até tentaram alfabetizar os outros animais, mas sem muito sucesso. O mistério do leite foi resolvido: estava sendo misturado à ração dos porcos, porque lhes fazia bem (assim como as maçãs do pomar) e, segundo eles, as comiam pensando nos outros, pois precisavam continuar raciocinando bem e liderando o movimento, para que Jones jamais retornasse.

Jones e seus homens tentam retomar a granja, e uma longa batalha acontece. Uma ovelha morre no processo. Os animais conseguem expulsar os homens. Bola-de-neve (um dos porcos líderes) e Sansão, o cavalo, são condecorados pela bravura. A espingarda de Jones ficou ali, e decidiu-se que ela seria disparada duas vezes por ano, em comemorações especiais.

A partir daí, polarização, discussões e divergências entre Bola-de-neve e Napoleão (outro porco líder), principalmente sobre a construção do moinho de vento. O primeiro defendia tecnologia, eletricidade e descanso; o segundo, mais comida, e era indiferente aos projetos. No dia da votação, acontece um golpe! Ao ver que perderia, Napoleão, munido de 9 cães ferozes que haviam sido educados por ele, expulsou Bola-de-neve e instaurou o Comitê dos Porcos, para tomar as decisões por todos os animais. Pouco tempo depois, anunciou que o moinho seria construído; que, por tática, fingiu ser contra. A construção agora levaria o dobro do tempo previsto e implicaria em redução de ração.

A partir daí, as contradições parecem não ter fim. Os animais trabalham cada vez mais duro, e os porcos têm cada vez mais luxo. Dada a necessidade de recursos, iniciaram comércio com humanos; mudaram-se para a Casa Grande e dormiram nas camas (algo que era proibido, mas a lei foi alterada para camas com lençóis – e eles não dormiam com lençóis). Após um temporal, o moinho fica em ruínas e a culpa cai em Bola-de-neve. Tudo era culpa dele.

A situação fica cada vez mais crítica. Fome, falta de recursos e ração. O trabalho, entretanto, sempre aumentava. Para piorar, os traidores agora eram mortos pelos cachorros. Os bichos estão desolados, mas não ousam resistir. Até a canção símbolo da resistência, Bichos da Inglaterra, fora abolida. Os mandamentos são alterados para “animal não mata animal sem motivo” e “não se deve beber álcool em excesso”.

O aspecto trágico tem seu ápice quando o pobre Sansão, que tantou trabalhou pelo seu líder, após ser ferido em batalha, fatigou-se por extremo. Dizendo enviar-lhe ao veterinário, haviam contratado um carniceiro para matá-lo. O capítulo é caótico, com o apático Benjamin agora feroz por ser o único que sabia ler e percebera o destino final de seu amigo. Eis a morte, o esquecimento e a fácil substituição de um trabalhador tão leal e dedicado.

Assim termina a história. Os porcos tornaram-se os novos humanos, e os animais ficaram em uma situação pior do que antes. O poder é devastador; revela o coração como poucas coisas o fazem.

Minhas impressões

É um baita livro. Gostei muito do estilo do autor, bem como de suas ironias. Particularmente gosto muito de alegorias. Dá para entender por que o livro é um verdadeiro clássico da literatura mundial. É uma forte crítica ao acúmulo de poder; uma crítica não ao socialismo, pois Orwell era socialista, mas ao sistema socialista fracassado, cujos líderes haviam se tornado piores do que aquilo que queriam evitar. O livro mostra como sempre haverá pessoas que, uma vez no poder, se tornarão completamente diferentes do que um dia foram. Foi e sempre será assim.

Sobre a edição da Companhia das Letras: Excelente. Baita tradução de Heitor Aquino Ferreira. Para mim, foi na medida. Combinou uma tradução mais rebuscada em certos momentos com algo mais leve em outros. Ainda aprendi várias palavras novas para aumentar o vocabulário. Infelizmente este é um problema que enfrentamos bastante atualmente: a pobreza das traduções. Em busca de tornar a tradução "acessível", opta-se apenas por palavras fáceis e amplamente reconhecidas, de modo que o leitor não mais consulta um dicionário sequer, sob o pretexto de que sua leitura seria atrasada. Contudo, esse é um dos papéis do livro, que não deve ser apenas saboreado, como também é um instrumento de aprendizado constante e expansão da cultura. Além disso, não encontrei erros de revisão, diagramação ou algo do tipo. Por essa razão, deixo meus elogios à tradução e à edição impecável da Companhia das Letras.

Quem deveria lê-lo?

É um livro excelente que todas as pessoas deveriam ler, principalmente aquelas que se interessam por disciplinas como história e sociologia.

Lições aprendidas

  • O poder tem a capacidade de revelar o coração como poucas coisas o fazem.
  • Conhecimento, sabedoria e discernimento ajudam a não crer em tudo o que se diz, julgando todas as coisas conforme necessário.

Melhores citações

O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. — O velho Major conta seu sonho, p. 12

Todos os homens são inimigos, todos os animais são camaradas. — Máxima pregada pelo velho Major

De certa maneira, era como se a granja tivesse ficado rica sem que nenhum animal houvesse enriquecido – exceto, é claro, os porcos e os cachorros. (p. 102)

Nada havia, agora, senão um único mandamento que dizia: “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. — Quitéria e Benjamin leem a parede do celeiro com as regras (p. 106)

As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez, mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco. — Frase de encerramento do livro (p. 112)


Você pode comprar A Revolução dos Bichos na Amazon:

De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens. Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo.

domingo, 4 de abril de 2021

Os bilhões de Arsène Lupin

Os bilhões de Arsène Lupin

Autor: Maurice Leblanc
Edição: Principis
Nota: 3,0/5

♦ Do que o livro se trata?

O livro relata como o caminho de Patricia, uma jovem repórter americana, se cruzou com o de Arsène Lupin, o famoso cavalheiro-furtador. Enquanto Patricia investigava um misterioso encontro no qual seu chefe (e prometido marido) é assassinado, tendo sua pasta roubada. Uma série de incidentes levam a bela Patricia a despertar paixões e se envolver com as mais terríveis pessoas. Pelo caminho, um gentil benfeitor, Horace Velmont, oferece-lhe ajuda, indicando quem teria cometido tal crime: a Máfia está por trás de tudo, e eles querem se apoderar de todo o dinheiro de Arsène Lupin; Horace também lhe oferece proteção e, além disso, todo seu amor. Mas quem é Horace Velmont, que tanto sabe sobre tudo? Ora, só uma pessoa teria tantas informações... Assim a história se desenrola em “Os bilhões de Arsêne Lupin”.

♦ Minhas impressões/pensamentos sobre o livro

O livro é legal, uma leitura leve e sempre agradável, como os outros do mesmo autor. Contudo, este não cumpriu com as expectativas que livros anteriores sobre o cavalheiro-ladrão criam no leitor. Quem leu “O ladrão de casaca” ou “Contra Herlock Sholmes” vai se desapontar ao encontrar um Lupin que aparece de fato quase no fim da história, e, ainda assim, não nos surpreende com suas fugas mirabolantes, com seus planos cuidadosamente arquitetados; não, vemos um Lupin aparentemente cansado, querendo apenas descansar com os frutos de seu “trabalho” e, além disso, apaixonado. Claro, o leitor acostumado sabe que Lupin é muito galanteador, de modo que esta é sua marca; Lupin, “o último dos miseráveis, o mais perigoso, porque o mais simpático dos malfeitores”; mas nesse livro isso desaparece, dando lugar a um Lupin que não passa de um homem que reage; pode-se dizer que ele é quase coadjuvante neste livro, de modo que a jovem Patricia rouba toda a cena.

Além disso, devo destacar que há coisas um tanto absurdas no livro, que, embora eu tente não prestar tanta atenção nisso, não é possível fechar os olhos para elas. Por exemplo, o fato de uma tigresa que escapou por acidente ser domesticada pela jovem Patricia, protegendo-a e até mesmo ajudando Lupin a escapar. Há algo que mais desafie a realidade? Nem todas as miraculosas fugas de Lupin chegam perto de tal fantasia.

Quanto à edição da Editora Principis:
Excelente. Ótimo custo-benefício. Nesta quase não encontrei erros de revisão; nada fora do normal que valha a pena ser mencionado. A edição segue o padrão dos outros livros do mesmo autor. Recomendo demais!

♦ Quem deveria lê-lo?

Creio que é uma leitura válida para todos os fãs de Arsène Lupin.

♦ Top citações

  • “Há situações na vida que só enxergamos claramente quando fechamos os olhos.” (p. 34)
  • “Lupin, o último dos miseráveis, o mais perigoso, porque o mais simpático dos malfeitores, o mais hábil, o mais capaz e o mais rico” — fala do jovem líder da organização criminosa que queria se apropriar do tesouro de Lupin (p. 127). 

CASO QUEIRA ADQUIRIR O LIVRO, CLIQUE NA IMAGEM:

Qual a palavra mágica que faz Arsne Lupin aparecer e desaparecer? Patricia, uma jovem americana assistente de James Mac Allermy, é muito querida por seu chefe, fundador do jornal Allo-Police, que vê um futuro profissional brilhante para sua preciosa colaboradora. Mas a morte de James vai dar uma guinada na vida de Patricia, deixando muitas perguntas no ar. Por quê, depois de um misterioso encontro, Mac Allermy é assassinado? O que havia na pasta de couro que foi roubada dele? Quem atacou Patricia? Quem deu a ela um apito de prata? Assassinato, dinheiro, romance, fuga e muitas perguntas, que só uma pessoa é capaz de responder: Arsène Lupin!

CLIQUE AQUI e compre o livro na Amazon!

sábado, 27 de março de 2021

Resenha: Frankenstein

Frankenstein

Autor: Mary Shelley
Edição: Principis
Nota: 5,0/5

♦ Do que o livro se trata?

O livro é um “compilado” de relatos de Walton Saville, um marinheiro que deseja explorar as terras geladas mais ao Norte do globo, as quais são conhecidas por seus perigos e sua incapacidade de navegação. No meio da expedição, ele e sua tripulação se deparam com uma figura enorme e deformada passando rapidamente pelo gelo em trenós e, um tempo depois, encontram um homem vagando em uma placa de gelo que havia se desprendido, fadado à morte caso não fosse encontrado. O resgatado, Viktor Frankenstein, passa a relatar tudo o que lhe acontecera até chegar ali. O livro então é quase todo composto do relato da sua vida até aquele ponto, de como, por meio de seus estudos da filosofia natural, conseguiu criar um ser inanimado e dar vida a ele, um ser composto de diversas partes humanas desproporcionais entre si, que lhe conferiam uma aparência vil e maligna. Este ser, cuja aparência é de um demônio, segundo seu criador, torna-se o motivo de seus terrores para o resto de sua vida. O ser criado por Frankenstein, que tinha as melhores aspirações, aprende com o ser humano o que é a maldade, e passa a agir assim para atormentar seu criador, fazendo-o sentir-se culpado pelos terríveis acontecimentos que tomam lugar.

♦ Minhas impressões/pensamentos sobre o livro

O livro é sensacional. A literatura dos séculos 18 e 19 me fascinam. Histórias, de fato, assombrosas, horripilantes, que nos tiram da zona de conforto e questionam não apenas nossos princípios, mas também a raiz deles. Não tenho críticas à obra em si. Bem, o final acontece muito rápido, é verdade, mas não deixa de ser surpreendente e impressionante. É uma leitura que vale muito a pena.
A Mary Shelley foi muito feliz na escrita deste livro. A progressão da história é ótima e trata de assuntos comuns a esta época da literatura. Por exemplo, frases e trechos que indicam a destruição certa e iminente do Viktor Frankenstein são recorrentes. É como se seu destino já estivesse traçado: qualquer sucessão de eventos acabaria levando ao fim do livro, pois é como se ele não tivesse para onde fugir, seu demônio criado por si próprio sempre o perseguiria. Seu objetivo de vida, o qual lhe parecia irresistível, era ao mesmo tempo repugnante e exigente demais, mas mesmo assim ele estava disposto a ir em frente, sem pensar nas consequências que enfrentaria. Isso ecoa também no Walter Saville, narrador original até que entre em cena o Viktor Frankenstein.

A obra também lida com a aspiração de Frankenstein a ser um criador e, de fato, até mesmo um pai para aquela criatura. “Uma nova espécie me abençoaria como seu criador e fonte; muitas naturezas felizes e excelentes deveriam sua existência a mim. Nenhum pai poderia reivindicar a gratidão de seu filho tão completamente como eu deveria merecer a deles”, é o relato de Viktor. Mas este sentimento vai embora quando ele vê sua criação ter vida e ser tão repugnante. A criatura é então desprezada pelo seu criador e condenada a andar errante pelo mundo, longe de qualquer afeto. Pela sua desprezível aparência, ninguém quer manter-se próximo a ele. Logo, sua única saída é vingar-se, tornando a existência de seu criador tão infeliz quanto a dele. Como a criatura diz ao seu criador: “Eu deveria ser o seu Adão, mas sou muito mais o anjo caído, que você desviou da alegria sem nenhuma mágoa. Por toda parte vejo felicidade, da qual sou irrevogavelmente excluído... Faça-me feliz e novamente serei virtuoso”. A resposta de Viktor à reivindicação de sua criatura dita o rumo da história.

Com relação à edição da Editora Principis, é uma das melhores edições dessa editora que já tive em mãos. O acabamento do livro é excelente, além de ser muito bonito. O custo benefício é sensacional, até hoje me pergunto como as edições da Principis são tão acessíveis! Pelo preço, pode-se imaginar que a edição venha cheia de erros, mas não é isso que acontece. É o contrário: a qualidade é excepcional. Há pouquíssimos erros de revisão, o que é naturalmente natural em qualquer livro. O único mais “grosseiro” é o fato de continuar a repetição de travessões enquanto o mesmo personagem ainda está falando; isso confunde um pouco a leitura, mas isso só aconteceu no último capítulo, e em poucas falas. Nada demais. Para mim, não afeta a nota geral com relação ao livro nem estraga a experiência de leitura. Recomendo demais a edição da Principis, uma edição de excelente qualidade!

♦ Quem deveria lê-lo?

Todos os amantes da literatura devem entregar-se à leitura (e releitura) desde clássico. É possível se beneficiar muito da leitura deste livro. Impossível não se emocionar com os relatos, ou não ficar tomado de terror e surpresa conforme a leitura progride.

♦ Como o livro me mudou?

É importante sempre se perguntar: será que a mera aparência das pessoas afeta o meu julgamento com relação a elas? Isso vale não apenas para a aparência física, mas também para objetos e posses da pessoa. Em um nível mais profundo: até onde estamos dispostos a ir por nossas aspirações que, às vezes mesmo sombrias, não medimos esforços para alcançar? Estamos dispostos a lidar com os “demônios” criados pelo meio do caminho e que nos atormentarão até o fim de nossas vidas?

♦ Melhores citações

  • “Com essa estranheza as nossas almas são construídas e, por ligamentos assim frouxos, nos unimos à prosperidade ou à ruína.” (p. 40).
  • Por que o homem se gaba de sensibilidades superiores àquelas aparentes em estado bruto, na natureza? É só para se tornar um ser mais necessário.” (pp. 101-102).
  • “Será que o homem era, de fato, tão poderoso, tão virtuoso e magnífico, mas tão depravado e vil?” (p. 125).
  • “Será que eu era um monstro, uma nódoa sobre a Terra, alguma coisa da qual todos os homens fugiam e a quem todos repudiavam?” (p. 126).
  • “Não posso descrever a agonia que essas reflexões infligiram à minha pessoa. Tentei dissipá-las, mas a tristeza só aumentou com o conhecimento. Oh! Por que não havia ficado para sempre no bosque onde nasci, sem conhecer ou sentir nada além das sensações de fome, sede e calor?!” (p. 126).
  • “Ah! Como é bom o infeliz se resignar, mas para os culpados não há paz. As agonias do remorso envenenam a luxúria que, de outra forma, se encontra em entregar-se ao excesso de dor.” (pp. 201-202). 

CLIQUE NA IMAGEM E ADQUIRA O LIVRO!

Victor Frankenstein desde muito jovem se dedicou aos estudos da filosofia e das ciências naturais. Até que, em uma experiência bem-sucedida (que lhe sugou a energia e o afastou do convívio dos seus entes queridos), ele foi capaz de dar vida a um ser de feições e trejeitos assustadores. A partir de então, criador e criatura passam a viver um jogo de perseguição repleto de sangue e horror – a primeira obra de ficção científica da literatura e um clássico do terror.

CLIQUE AQUI E ADQUIRA O LIVRO NA AMAZON


Outras edições:

Edição de luxo Capa Dura - Editora Darkside: CLIQUE AQUI
Edição comentada Capa Dura - Editora Zahar: CLIQUE AQUI
Edição Martin Claret + O médico e o monstro + Drácula: CLIQUE AQUI


Ao comprar o livro clicando no link acima, você estará ajudando o blog Vila do Renan, que faz parte do programa de afiliados Amazon.

quarta-feira, 17 de março de 2021

Resenha: Arsène Lupin, Ladrão de Casaca

Arsène Lupin, Ladrão de Casaca

Autor: Maurice Leblanc

Edição: Principis
Nota: 5,0/5

--Do que o livro trata?
O livro relata casos e situações envolvendo Arsène Lupin, um ladrão um tanto “incomum”, pode-se assim dizer. Lupin, com toda a sua técnica e sua ganância, mas nunca sem abandonar a sua cordialidade, fica conhecido como um “Gentleman-Cambrioleur” (ou cavalheiro-furtador). Para Lupin, nenhum roubo é difícil demais, não há objeto de valor que possa ser escondido, não há “trabalho” que não possa ser executado. E, ainda quando todos pensam que o possuem nas mãos, ele consegue arquitetar as mais brilhantes fugas bem diante de seus olhos, deixando todos boquiabertos. No último relato, o arqui-inimigo perfeito passa diante dele: ninguém mais ninguém menos que o mais famoso detetive que já existiu: Sherlock Holmes, deixando a expectativa de mais confrontos futuros. Não tenho essa informação no momento, mas creio que o livro é uma introdução ao personagem, pois os relatos abrangem desde o início de sua “carreira”. Arsène Lupin é o que chamo de “o ladrão ao qual não se consegue odiar”, pois suas artimanhas são tão fascinantes que é preciso tirar o chapéu e reconhecer que, se Arsène Lupin assina o crime (ou um aviso do crime), pouco adianta tentar evitá-lo.

--Minhas impressões/pensamentos sobre o livro.
O livro em si é excelente, não coloco defeitos. Gosto do estilo de escrita do Maurice Leblanc, embora não tenha lido na língua original. Apesar de que ele não pareça colocar tantos detalhes como o Conan Doyle ou a Agatha Christie, ainda assim seus livros são tão simples que tanto uma criança quanto um adulto certamente conseguem entender.
A edição da editora Principis é excepcional, ainda mais considerando seu preço extremamente acessível. Notam-se raríssimos erros, nada fora do normal. Vale muito a pena!

--Quem deveria lê-lo?
Todas as pessoas, eu diria, mas principalmente aqueles que gostam de histórias de investigação, como as de Sherlock Holmes ou as escritas por Agatha Christie, por exemplo.

--Quais as lições do livro?
Bem, não há muitas “lições” em si, mas livros assim sempre são ótimos para exercitar a imaginação e, quer queira quer não, você sai querendo observar mais as coisas ao seu redor, bem como realizar (ou tentar realizar) deduções no dia a dia.

--Melhor citação: “Onde a força falha, a astúcia vence” — Lupin.

--Top 3 capítulos:
1º Lugar: Capítulo 6 - O sete de copas
2º Lugar: Capítulo 1 - A prisão de Arsene Lupin
3º Lugar: Capítulo 9 - Herlock Sholmes chega tarde demais
 
Compre o livro na Amazon (clique na imagem):

Arsene Lupin, que conseguiu ser mais famoso que seu criador, nasceu por encomenda do editor Pierre Lafitte ao escritor Maurice Leblanc. Este livro reúne as nove histórias A prisão de Arsene Lupin, Arsene Lupin na prisão, A fuga de Arsene Lupin, O viajante misterioso, O 'Colar da Rainha', O sete de copas, O cofre de Madame Imbert, A pérola negra, Herlock Sholmes chega tarde demais inter-relacionadas, tais como foram publicadas na revista do editor Lafitte, Je sais tout. Quando Arsene Lupin é preso ao descer do navio em Nova Iorque, seu biógrafo já o acompanha, pois Watson sempre acompanhará Sherlock Holmes. A diferença é que aqui é o próprio Maurice Leblanc quem se transforma em personagem para contar as aventuras do protagonista de sua invenção.

Edição de luxo da Editora Pandorga:

Arsène Lupin, o ladrão de Casaca é uma coletânea de nove histórias do escritor francês Maurice Leblanc que constituem as primeiras aventuras de Arsène Lupin. O editor da revista francesa Je sais tout encomendou a Maurice uma novela policial, cujo herói fosse para França o que era para a Inglaterra o detetive Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle. Nasceu assim Arsène Lupin, personagem vivo, audacioso, impertinente, desafiando sem cessar o Inspetor Ganimard, arrastando corações atrás de si, zombando das posições conquistadas e ridicularizando os burgueses, socorrendo os fracos, Arsène Lupin é um Robin Hood da Belle Époque. Nessa edição especial em capa dura, o leitor encontrará a versão integral do texto, traduzido diretamente do francês. Acompanham pôster e marcador exclusivo.

CLIQUE AQUI e adquira este clássico da literatura mundial!

OBS: os links acima redirecionam à Amazon e, ao comprar por eles, você estará nos ajudando =)

sábado, 21 de dezembro de 2019

O Natal e o Futuro Governante — Mq 5.1-9

     Ah, o Natal! Esta é, sem dúvidas, a melhor época do ano! As pessoas parecem ficar mais alegres e sorridentes. Talvez seja porque grande parte está de férias ou perto disso. As confraternizações começam a acontecer. O clima de fim de ano é sensacional! Contudo, talvez a grande maioria das pessoas, inclusive dos cristãos, deixa passar batido o verdadeiro significado do Natal.
     E não, não estou aqui falando apenas de que “Natal não é papai noel e sim Cristo que veio entregar a vida por você”. Este é o nível básico, a base, uma verdade que muitos parecem ter acolhido, lembrado e adotado para suas vidas, pois vemos autos e cantatas de natal, e coisas mais. Contudo, devemos ir além. A promessa do governante de Israel dada por Deus e entregue a nós por meio do profeta Miqueias e de outros profetas possui grandes implicações para nós ainda hoje — mais do que repetir jargões que, embora sejam verdadeiros, não levam ninguém a pensar e repensar seus modos de vida.

     Veja este trecho do livro de Miqueias, capítulo 5, versículos 1 a 9.
     "Agora, reúne tuas tropas, ó filha de tropas, pois há um cerco contra nós; com uma vara ferirão o governante de Israel na face." Mas tu, Belém Efrata, embora sejas pequena entre os milhares de Judá, sairá de ti para mim aquele que reinará sobre Israel, cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. "Portanto, tu os entregarás até que a parturiente dê à luz; então o restante de seus irmãos voltará aos israelitas. Ele permanecerá e cuidará do povo, na força do SENHOR, na majestade do nome do SENHOR, seu Deus; e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra." Ele será a nossa paz. Quando a Assíria invadir nossa terra e atacar nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito comandantes. Eles destruirão a terra da Assíria pela espada, e a terra de Ninrode dentro de suas portas. Assim ele nos livrará da Assíria, quando esta invadir nossa terra e entrar em nosso território. O remanescente de Jacó estará entre muitos povos, como orvalho da parte do SENHOR, como chuvisco sobre a relva, que não espera pelo homem, nem aguarda filhos de homens. O remanescente de Jacó também estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leão forte entre os rebanhos de ovelhas, o qual as pisará e despedaçará quando passar, sem que ninguém as livre. A tua mão será exaltada sobre teus adversários, e todos os teus inimigos serão exterminados.
— Miqueias 5.1-9, Bíblia Almeida Século 21 (Edições Vida Nova)

     Miqueias foi um profeta contemporâneo do profeta Isaías e profetizou durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias, entre os anos 742 e 686 a.C. A nação de Israel, o povo escolhido de Deus, estava imerso em pecados absurdos, o que, como foi avisado na Lei, traria como consequência o castigo.
     A mensagem do livro vai desde o anúncio do juízo de Deus sobre Israel até a esperança de redenção que este povo deveria possuir. No livro do profeta Miqueias, aprendemos que, mesmo em um mundo maculado e destroçado pelo pecado, o propósito e o triunfo de Deus sobre o mal estão garantidos. Não há possibilidade alguma de falhar. Miqueias nos mostra a promessa de algo muito maior, algo que os hebreus sequer conseguiam conceber. Vamos ao texto.

1. A Preparação para o Rei (5.1-3)
     No v.1, há um aviso para que Israel prepare as suas tropas. O cerco de Senaqueribe, o qual viria a acontecer em 701 a.C., estava sendo preparado contra Israel. Ele capturou cidades fortificadas. Foi um dos ataques mais devastadores para Judá. Jerusalém escapou por milagre, como está relatado em Jr 26.18,19. Miqueias fala que ferirão o governante atual, ou seja, Ezequias não iria conseguir defender-se do ataque, e teria que se render.
     Mas a partir do v.2, há uma mudança no tom da profecia. Os oráculos de Deus passam a ser de renovo. A promessa futura de um redentor, de um governante poderoso, Rei dos reis, estava prestes a ser anunciada para fundamentar a esperança do povo. O cerco e o exílio seriam temporários, dados pelo próprio Deus, mas que após isso viria algo muito maior e melhor.
     Cerca de 700 anos depois, a promessa se cumpria na cidade de Belém da Judeia, Belém Efrata, a pequena entre as milhares de Judá. A cidade mais improvável, pequena e inexpressiva possível para o nascimento de um rei. Dela saiu aquele que há de reinar em Israel, Jesus Cristo. Os judeus, contudo, acreditavam fortemente que seria um rei político, que restauraria a posição de Israel perante seus vizinhos territoriais e se firmaria como potência novamente. Quem não seria tentado a pensar dessa forma? Poucos foram os que, pela fé, viram o Messias que reinaria sobre o Israel espiritual. Quando Miqueias fala de um rei cujas origens são desde os tempos antigos, ele quer literalmente dizer tempos remotos, tempos imemoráveis. Um rei cujas origens estão nos dias da eternidade jamais poderia ser um governante terreno, um mero sucessor do trono hebreu. Um rei não limitado pelo tempo ou pelo espaço. Esta é uma das passagens que mais dá detalhes acerca do Messias prometido, inclusive utilizada em Mateus 2.4-6 pelos mestres de Herodes para saber onde Cristo haveria de nascer.
     O v.3 nos mostra que Israel veria seus filhos e filhas serem entregues ao cativeiro, ao exílio. Israel jamais seria o mesmo depois disso. Contudo, o profeta nos mostra que as dores advindas desse castigo seriam como dores de parto: embora muito grandes, seriam temporárias. Não são agonias de morte. Elas seriam esquecidas após a grande “alegria da criança que viria ao mundo”, a plenitude dos tempos que viria. Quando esse tempo chegasse, o povo de Deus seria reunido, tanto Israel quanto seus irmãos distantes do exílio, como também pessoas de nações vizinhas e distantes (Mq 4.2-3). Cristo, o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8.29), nos une a Deus novamente, e congrega todo o Israel espiritual junto de si.

2. O Governante de Israel, o Rei dos reis (5.4-6)
     Entre os detalhes que Miqueias dá acerca do Messias, ele nos diz no v. 4 que ele permanecerá e cuidará do povo. O próprio Cristo nos garantiu isso, momentos antes de sua ascensão, quando disse “e eu estou convosco todos os dias, até o final dos tempos” (Mt 28.20). Ele também garantiu que cuidaria do seu povo como um bom pastor, o qual não está distante, mas preza pelas suas ovelhas (Jo 10.11). Tudo isso por causa da sua força e majestade, que são a força e majestade do SENHOR, o Senhor dos exércitos, poderoso nas batalhas (Sl 24.8).
     Ele garante que o seu povo também permanecerá. Não serão extintos. E, de fato, seu povo ainda permanece. Mais de dois mil anos depois, seu povo continua firme em Seu Nome e o Reino de Deus avança. E isso se cumpre pois Ele é grande até os confins da terra. Deus o exaltou e lhe deu nome sobre todo nome (Fp 2.9-11). A pregação tem alcançado até mesmo os lugares mais longínquos, levando o soberano Nome. Mas isso não é mérito humano. Não temos uma mensagem descolada, bonitinha, amiga de todos. Sofremos perseguições. Fomos açoitados, presos, assassinados. Contudo, o sucesso da missão está garantido pois Ele está conosco!
     Apesar de todas as dificuldades, o povo de Deus descansa, pois ele será a nossa paz (v.5). Podemos ficar tranquilos e confiar nEle. Nisso deve consistir a segurança da igreja dos planos de satanás e do reino das trevas. Ainda que a Assíria invada as nossas terras e ataque nossos palácios, isto é, ainda que o mundo nos ataque e queira nos amedrontar, nos fazer desistir da caminhada com Cristo e da proclamação da sua mensagem, estaremos firmes nEle!
     Não faltarão homens e mulheres dispostos a defenderem o povo de Deus, pois eles serão levantados pelo próprio Deus! Levantaremos pastores e príncipes, um número adequado e competente de pessoas para se opor ao inimigo e proteger a igreja. O próprio Cristo nos garantiu que as portas do inferno não prevalecerão contra a sua igreja (Mt 16.18), desde que estejamos fundamentados na pedra angular, Jesus Cristo. Toda altivez será destruída pela espada, pela Palavra de Deus. Ele nos livrará, o nosso redentor.

3. A igreja de Cristo (5.7-9)
     O seu povo será como o orvalho (v.7), um instrumento de Deus para dar vida e levar bênçãos para aqueles com quem convivem. O seu povo vem da parte do Senhor, possui origem celestial, nascem do alto, eleitos pelo próprio Deus antes da fundação do mundo (Ef 1.4). Seu povo será como o chuvisco, serão mui numerosos, e puros e cristalinos como gotas de orvalho. Eles não dependerão nem esperarão aprovação do mundo para agir em nome de Deus.
     Em contrapartida, também serão como leões (v.8), valentes e destemidos, prontos para levar a mensagem com coragem até os confins da terra. A mensagem do Evangelho é uma mensagem muito séria. Para aqueles que não creem, somos como cheiro de morte, pois o Evangelho é uma boa notícia para quem crê, mas uma mensagem de condenação para os que não creem.
     Tudo será consumado na glorificação e na exaltação de Cristo. Este é o alvo final para o qual caminha toda a história. Essa glorificação teve início na sua vinda, morte, ressurreição e ascensão, continua ainda hoje mediante a pregação do Evangelho e terá seu fim no Grande Dia, no Dia Final, onde o justo juízo de Deus será manifestado (Rm 2.5), em que os que não creram serão condenados e os que creram serão recebidos na Glória. Amém!

Que o Deus Altíssimo nos faça relembrar todos os dias da sublimidade da vinda de Cristo. Que não tenhamos a audácia de reduzir a sua mensagem a meros jargões repetidos no fim de ano de forma automática. Que tenhamos em mente que Cristo veio como cumprimento dos propósitos de Deus para a salvação de seu remanescente. Como disse Ismael Quintero, “é contraditório que o mundo celebre o seu nascimento e rejeite sua mensagem”.
     A mensagem de Natal, antes de ser uma mensagem de amor, é uma mensagem de arrependimento, um alerta do juízo de Deus sobre os que praticam a iniquidade; um chamado à fé em Cristo Jesus, o Príncipe da Paz (Is 9.6), o renovo do Senhor (Is 4.2).
    E para os que já depositam sua fé nEle, esta deve ser uma data de gratidão a Deus, pois Ele sim é fiel e cumpre sua Palavra. Devemos nos maravilhar nos planos sublimes de Deus, assim como Paulo disse “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!” (Rm 11.33).

Soli Deo gloria, nunc et semper, amen.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Amar a Deus ou amar o mundo?

Texto base: 1 João 2.15-17
por Renan A. Monteiro

Hoje vamos meditar em um pequeno trecho da Palavra de Deus, e ele se encontra na primeira carta que João escreveu à igreja, no capítulo 2. Leremos os versículos 15, 16 e 17.
    Irmãos, há um princípio físico que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Se você coloca água em uma garrafa, irá tirar o ar de dentro dela. É praticamente o que o apóstolo João disse nessa passagem, mas dessa vez se referindo ao coração.
    João certamente aprendeu tais ensinamentos do próprio Jesus Cristo. No Sermão do Monte, um dos maiores sermões que esse mundo já escutou, o Senhor dos senhores disse: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro (Mateus 6:24).
    O primeiro dos Dez Mandamentos diz que não devemos amar a Deus acima de todas as coisas.

Eis aqui três razões para não amarmos este mundo.

I. O mundo é contrário a Deus (v.15)
2.15 Não ameis o mundo nem o que nele existe. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

No v. 15, João começa a falar para aqueles que estavam na igreja, mas que também desejavam o que o mundo oferece. Eram pessoas que não conseguiam se satisfazer com as coisas de Cristo, com as coisas eternas.
    O que é o mundo? Nessa passagem, é tudo o que é contra Deus em seus pensamentos e ações. É o sistema de pensamento contrário a Deus, controlado por satanás, fruto da mente pecaminosa.
    Na caminhada cristã, as dificuldades nunca são pequenas. As tentações nunca são fracas. Quem diz que se tornar cristão é a solução para todos os problemas está mentindo. Quando o inimigo percebe que você começou a sentir desejo pelas coisas de Deus, ele passa a te atacar duas, três vezes mais
    As coisas do mundo parecem muito mais reluzentes, muito mais atraentes, muito mais brilhantes. Mas como o próprio sábio já disse no livro de Provérbios, há caminhos que ao homem parecem direitos, mas o fim deles conduz à morte. (Pv 14.12)
    Jesus Cristo nos chama a ter uma vida parecida com a dele, pois assim daremos testemunho às pessoas do mundo de quem aguardamos um lar celestial, e não somos controlados pelo que vemos e tocamos.
    Ao desejar as coisas do alto mais do que as coisas terrenas, demonstramos que amamos a Deus de forma verdadeira, e não apenas da boca para fora. Além disso, demonstramos que o amor do pai está em nós. Perceba que essa não é uma condição para que Deus o ame. Mas é um sinal de que o amor do Pai está no indivíduo.

II. O mundo é um perigo para nossa santidade (v.16)
2.16 Pois tudo o que há no mundo: as paixões da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provém do Pai, mas do mundo.

O apóstolo João cita três coisas que nos fazem tropeçar. Três coisas que nos chamam a atenção, que são bonitas para nós, seres humanos, pessoas de carne e osso.
    Primeiro, as paixões da carne. Paulo nos mostra quais são as obras da carne em Gálatas 5.19-21: “As coisas que a natureza humana produz são bem-conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes, a adoração de ídolos, as feitiçarias, as inimizades, as brigas, as ciumeiras, os acessos de raiva, a ambição egoísta, a desunião, as divisões, as invejas, as bebedeiras, as farras e outras coisas parecidas com essas.” Precisamos fugir de tudo isto. É preciso ter muito cuidado, pois o mundo quer dizer que isso é natural e não tem nada demais. Mas isso é errado. A Bíblia diz que é preciso dominar o corpo.
    Segundo, a cobiça dos olhos. Os olhos são a porta de entrada para o nosso coração. O Senhor Jesus disse que se o teu olho te faz pecar, é melhor arrancá-lo e jogar fora. Claro que você não deve levar essa instrução ao pé da letra, é apenas uma ilustração de quão grave pode ser satisfazer e desejar tudo o que os olhos veem. A verdade é que o mundo nunca nos faz convites feios. O mundo faz as coisas erradas parecerem certas. Também em outro problema: nós não podemos desver o que vimos. O cérebro imediatamente faz uma cópia
    Terceiro, a ostentação dos bens. A soberba da vida. Aqui, você pode pensar que só cai nisso quem é rico, mas não. Todos estamos propensos a tal coisa. Você com certeza conhece alguém que não é podre de rico, mas sempre quer ser melhor que os outros, quer ostentar o que não tem. Há quem só queira colocar o outro para baixo. Outra maneira de isso se manifestar, é quando nós temos coisas demais, a tendência é se lembrar cada vez menos de Deus. Nos confiamos em nós mesmos e no que temos.

O problema não é o dinheiro, ou ter coisas, ou os olhos, ou o corpo. O problema está dentro da pessoa. O problema chama-se PECADO!

III. O mundo não é seguro (v.17)
2.17 Ora, o mundo passa, assim como sua cobiça; entretanto, aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente.

Qual o motivo de não desejar essas coisas? João dá a resposta: tudo vai passar. Nada disso é eterno. Tudo que é visível, que podemos pegar e tocar, não é eterno. Tudo tem um prazo de validade.
    Já percebeu que tudo caminha para um fim? O mundo caminha para a destruição. Vemos frequentemente atentados, guerras, doenças… Você deveria mesmo colocar sua esperança aqui nessa terra?
    Deus, porém, é eterno. As coisas do alto, as invisíveis, são eternas. A consequência é que aqueles que receberam a vida eterna farão a vontade de Deus. Essa vontade não é abstrata, ela não é aleatória. Essa vontade não muda, pois se mudasse ele seria injusto. Essa vontade é a nossa santificação. É que vivamos uma vida parecida com a do Mestre.
    Receba o Senhor Jesus, receba a vida eterna que só existe nEle, e os frutos serão vistos, e você logo tomará cada vez mais repulsa pelo mundo, aguardando a vida celestial.

O que fazer?
Hoje, quando você sair daqui, ao chegar em casa, e até mesmo durante a semana, quero que você pense em algumas coisas. Responda para si mesmo as seguintes perguntas:
    Eu amo mais o mundo do que a Deus? Estou pensando mais aqui do que nas coisas eternas? As paixões da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens chamam a minha atenção?
    Caso você responda sim para uma ou mais dessas perguntas, peça a Deus para que lhe preencha com desejo de buscá-lo. Uma vez que todos estamos contaminados pelo pecado, não é possível o desejarmos de todo coração a não ser que ele nos preencha por completo. Nessa hora pode ser que nos lembremos de uma pessoa ou outra que, pelas ações, demonstram amor pelo mundo, mas nós sabemos que esse pecado está dentro de nós também! Eu não preciso lhe acusar, você sabe no seu íntimo que provavelmente já desejou tais coisas, ou que cometeu tais atos, ou que confiou demais no que tinha, esquecendo-se de Deus.
    Se essas palavras de hoje fazem sentido para você, se lá no fundo você sente que buscar as coisas do mundo acima de tudo será em vão, esse é um sinal de que Deus está plantando a semente no seu coração! Agarre hoje mesmo esse desejo pelas coisas do alto. Comece a buscar ao Senhor a cada dia!

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Fim de Período

    Mais um semestre passou, e com ele vieram os resultados finais. Esse foi o meu sétimo semestre na universidade. Parece que foi ontem que eu comecei. Eu já havia enfrentado vários (e grandes!) desafios, mas eu sabia que nenhum seria como o sétimo período. Antes de começa-lo, em maio deste ano, eu tinha que decidir quantas disciplinas eu iria enfrentar. Eram seis obrigatórias e eu tinha a opção de colocar mais uma optativa ou não. Como eu não tinha pagado nenhuma optativa ainda, julguei que era hora de colocar uma. Contudo, eu sabia que ficaria ainda mais complicado e corrido, visto que eu teria uma grande carga horária a vencer. E, para você sentir ainda mais o drama, eu enfrentaria a temida disciplina Análise Estrutural I, a cadeira que mais reprovou alunos na história do curso. Mas decidi que estaria disposto a fazer dar certo. Outro grande desafio seria manter a minha vida devocional e leituras bíblicas em dia. Contudo, eu estava também disposto a não falhar nenhum dia, mesmo que eu tivesse que sacrificar meia hora de estudos de engenharia para isso. Orei ao Senhor e o entreguei o semestre. Começamos.
    Logo depois de um tempo, percebi que não seria tão fácil. As dificuldades começaram a aparecer. Quando chegava em época de provas, eu quase me via sem saída. Muita pressão de um lado e de outro. Tive alguns tropeços ao longo do caminho. Tive momentos de tristeza onde eu só podia entregar nas mãos de Deus e pedir que me abençoasse para passar e, dessa forma, o nome dele poderia ser glorificado. Para mim, reprovar uma disciplina seria envergonhar o nome de Cristo. Por favor, não me entenda mal, às vezes as coisas fogem do nosso controle e isso pode acontecer, e não estou falando que você envergonhou o nome de Cristo de propósito. Contudo, eu creio que o Deus que pode nos dar força, sabedoria e inteligência para lidar com qualquer tipo de problema, também pode nos abençoar para darmos nosso melhor e aprendermos corretamente de primeira. O correto não é reprovar. Reprovar é uma pedra no meio do caminho, e batemos nela quando deixamos algo fugir do nosso controle ou quando falhamos em algum ponto. Eu pedi muito que pudesse desempenhar meu papel da melhor forma possível, e assim o nome dEle pudesse ser glorificado.
    Nesse semestre também passei por duas perdas que, ao mesmo tempo que foram bastante difíceis, também foram “necessárias”. Permita-me contar-lhe o que houve. Logo no começo do semestre eu perdi meu avô paterno. Embora ele já estivesse inválido já havia alguns anos após um AVC, uma perda sempre é sentida. Eu não tinha contato diário com ele recentemente, pois hoje estudo na capital e ele mora em uma cidade vizinha à minha cidade natal. Nos víamos com pouca frequência. Mas mesmo assim, na infância, passamos bons momentos juntos e senti a perda. E, no fim do semestre, perdi a minha avó materna. Essa foi uma dor muito grande. Embora ela também já viesse lutando contra um câncer há alguns anos, dessa vez não esperávamos que fosse assim tão de repente. Contudo, ela já esboçava sinais, dores intensas e contínuas, e pedíamos muito a Deus para não vê-la sofrer. Esta eu senti mais que qualquer outra perda que passei na minha vida. Nenhuma se comparou até hoje. Estas foram algumas das pedreiras que tivemos que enfrentar ao longo do percurso.
    Este semestre também teve seus pontos altos. Como se já não achasse pouca coisa a fazer, vi a oportunidade de inscrever-me em um projeto de pesquisa na área de estruturas. Fui selecionado e hoje estou trabalhando com uma equipe incrível. Comemorei meu 21º aniversário, para a glória de Deus. Fiz novas amizades e pude fortalecer várias antigas. Tive boas conversas e discussões. Aprendi bastante coisa nova. Mas o mais importante, acredito eu, foi poder encarar um novo período com uma cosmovisão totalmente nova. O período mais pesado foi, muitas vezes, o período mais leve, pois eu sabia quem estava comigo, ao meu lado. Em cada leitura diária, eu me maravilhava cada vez mais com o Deus de Israel. A cada novo aprendizado, eu o glorificava muito mais. Então cheguei em um ponto que eu tive que abrir mão de gravar vídeos de xadrez para o canal. Eles estavam consumindo muito tempo meu, de modo que eu não podia mais continuar. Hoje, pretendo agora postar conteúdo teológico reformado.
    O período também foi de mudanças e ajustes, assim como deve ser a nossa vida todos os dias. Ver onde erramos, e decidir o que pode ser feito de melhor. Não apenas de uma perspectiva material, mas também espiritual. Ora, todos os dias pecamos e caímos em erros pequenos, e também em erros grandes, que nos deixam envergonhados diante de Deus. E, com toda a submissão, devemos pedir a Deus o perdão diário e rever o que fizemos de errado, e tentar fazer o certo, dia após dia. Rever palavras, ações, comportamentos, amizades, lugares frequentados, ocasiões, etc. Essa autoavaliação é muito importante, e deve ser feita diariamente.
    A cada batalha concluída, isto é, a cada prova realizada, a cada trabalho entregue, eu sabia que o fim do período estava ficando mais próximo. E o fim dele parecia aterrorizante em alguns momentos, porque eu sabia que no fim seriam exigidos muitos trabalhos, fora as últimas provas! E de fato aconteceu. No final, tudo veio de uma vez só. Na semana final, eu tive que pedir bastante força e sabedoria a Deus para saber controlar o que fazer em cada situação, o que fazer primeiro, o que deixar para depois e como administrar meu tempo. Foram dias muito corridos e complicados, mas foram dias onde pude ver a mão de Deus me guiando e conduzindo-me ao final do semestre. Foram dias onde, em cada capricho, em cada detalhe, em cada arranjo, eu pude ver Deus livrando-nos de certas batalhas desnecessárias, e nos levando a outras. No final, consegui me sair bem em algumas disciplinas e, em outras, não tanto quanto eu gostaria, mas foi satisfatório e pude ser aprovado. Na engenharia é assim, nem sempre notas altas significam que você não sabe do assunto.
    No fim, foi gratificante poder olhar para trás e dizer “consegui!”. E olha que ainda nem foi a conclusão do curso. Mas, quando este momento chegar, tenho certeza que conseguirei, pois, primeiro, tenho a Deus comigo e, pelo amor ao nome dEle, sei que ele permitirá glorifica-Lo. E, além disso, cada batalha menor a cada período nos preparam para as maiores que hão de vir. Soli Deo gloria.

Renan Araujo Monteiro

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Parte da Jornada é o Fim

    Quem me conhece sabe que eu prezo por fazer um bom trabalho em tudo que eu coloco minha palavra, ou em tudo que me for designado. Contudo (tenho certeza que você também já passou por isso), há momentos em que você se vê sobrecarregado pelas coisas ao seu redor. Além disso, é possível que certas coisas não sejam mais tanta prioridade na sua vida quanto já foram algum dia. É normal, especialmente com o tempo que passa. As prioridades e interesses vão se reajustando. E eu vou além, diria que elas vão se aperfeiçoando. Com o devido cuidado, elas vão se restringindo ao que é realmente importante. E pensando nisso é que vos escrevo esta publicação.
    O canal Renan Araujo sempre foi um espaço na internet onde me senti à vontade para publicar coisas que são do meu agrado e interesse, geralmente relacionadas a coisas que são importantes para mim, ou que representaram o que eu estive conectado durante certa fase da minha vida. E eu gostaria de analisar com vocês toda essa trajetória, falando sobre cada aspecto do canal e de tudo que já cheguei a postar nele, e como tudo isso leva ao que quero dizer. Então se prepare, pois lá vem história!
    Comecei com o xadrez, esporte ao qual me dediquei ao estudo durante alguns anos. Eu fui fascinado pelo xadrez desde que tive o primeiro contato com o jogo, embora só tenha começado a estudar um bom tempo depois. E, nessa trajetória de aprendizado, decidi criar um canal onde eu começaria traduzindo alguns vídeos, a fim de fixar mais o conteúdo, pois uma das melhores formas de aprender é ensinando. Além disso, eu também estaria ajudando tantas pessoas quanto fossem alcançadas, visto que, em 2014, o conteúdo de xadrez em português era muito reduzido. Na época o único canal que tinha prestígio era o do professor Júlio Lapertosa (que por sinal foi onde comecei a estudar!).
    Em 2015, quando estudava para o Enem, eu me dediquei bastante ao estudo de física e matemática, e tais disciplinas realmente me conquistaram. Dedicar-me a elas não era um fardo, pelo contrário, eu até me divertia resolvendo questões. E tudo isso foi muito bacana, foi uma fase muito especial na minha vida, da qual eu fico muito contente. Foi quando decidi que colocaria alguns vídeos de física e matemática lá no canal, com o mesmo intuito: fixar e aprender ainda mais, e ao mesmo tempo ajudar os estudantes de alguma forma. Foi muito bacana, passei em escolas daqui da cidade divulgando o trabalho, e até hoje há pessoas que me perguntam “cadê os vídeos de física?”.
    No segundo semestre de 2016 comecei a cursar Engenharia Civil e, agora com menos tempo, continuei aos poucos postando alguns vídeos. Em 2017 tive a oportunidade de ser monitor de Cálculo I e isso fez com que eu postasse alguns vídeos de questões de cálculo para ajudar alguns alunos da monitoria, assim as dúvidas poderiam ser tiradas não só ao vivo, mas também online. Foi muito legal também, logo a galera começou a querer que eu postasse de outras disciplinas e tal.
    O canal ganhou maior notoriedade no fim de 2017 após a postagem do vídeo A imortal subida de torre e logo passou a ser o maior canal de xadrez do Brasil, embora não fosse dedicado exclusivamente ao xadrez. E isso foi muito bacana, eu nunca pensei que chegaria a esse nível, visto que sou apenas um mero estudante do jogo, que jamais teve pretensões de competir em alto nível, nem de se tornar profissional. Contudo, ser até então o maior canal de xadrez do país traz consigo altas responsabilidades. É preciso ser fiel aos vídeos, estar sempre procurando e selecionando conteúdo de qualidade, e coisas do tipo. Tal dedicação requer bastante tempo livre, para estudar o jogo, estar atento às tendências, ao que está sendo discutido no mundo do xadrez. E, para dedicar tempo a isso, seria preciso retirar de outros lugares. Em 2018 o curso de Engenharia começou a ficar mais pesado, pois as disciplinas específicas estavam começando, e elas tem suas particularidades, e geralmente demandam mais tempo do que os cálculos e as físicas, por exemplo.
    De 2018 para cá também experimentei algo novo. O novo nascimento. A Palavra de Deus penetrou no meu coração como espada de dois gumes que separa juntas e medulas. Foi quando me dei conta que eu estava perdendo tempo. Que, mesmo criado na igreja desde pequeno, o que eu estava fazendo? Apenas marcando passo, sem nenhuma evolução, sem conhecer verdadeiramente o Deus vivo. Foi quando o bendito Deus me trouxe para junto dEle. Fez-me reconhecer meu estado, e então eu não pude seguir em frente sem entregar minha vida a Ele. Logo passei a me dedicar às coisas divinas, a estudar a Palavra, a buscá-Lo a tempo e fora de tempo.
    A verdade é que, do começo de 2019 para cá eu tive que sacrificar postagens do canal e tive que usar o tempo de estudar e preparar um vídeo de xadrez para estudar outros assuntos, sendo os principais a Palavra de Deus e o curso de Engenharia. Muitos comentários são postados no canal sobre o que está acontecendo, se eu voltarei a postar ou não, etc. Não quero que você me entenda mal, eu não quero dizer, ao usar a palavra “sacrifício”, que isso é algo ruim, ou que eu estou fazendo estas outras coisas de modo infeliz. Pelo contrário, são duas áreas que têm me fascinado todo dia, e em ambas eu gosto muito de buscar conhecimento, de estudar e me dedicar. O curso de Engenharia é muito bacana, tem seus desafios. E eu não tenho palavras para agradecer a Deus por ter me trazido para junto de si.
    Enquanto eu assistia ao recente filme da Marvel, Vingadores: Ultimato, escutei uma frase que me chamou muito a atenção: parte da jornada é o fim. E isso é bem verdade. O ser humano vive como se fosse imortal, como se nada fosse acabar. Mas acredito que devemos perceber cada fase da nossa vida e suas particularidades. O xadrez foi uma fase muito bacana na minha vida, e foi muito bacana quanto eu tive tempo para dedicar a isto. Mas hoje não é mais uma prioridade. Já não é mais tão prazeroso quanto foi um dia, infelizmente. Talvez eu tenha me mantido postando durante tanto tempo porque éramos o maior canal do Brasil. A responsabilidade era grande. Mas hoje não é mais assim. O “fenômeno Renan” foi responsável por muitas outras pessoas comuns começarem a criar seus canais de xadrez e, pouco a pouco, conquistarem seu espaço no xadrez nacional e nesse ramo do YouTube. Inclusive, até mesmo os Grandes Mestres do xadrez nacional entraram nessa e abrilhantaram ainda mais este segmento. Hoje há muitos canais fantásticos disponíveis para o estudo, como GM Krikor, GM Evandro, Julio Lapertosa, Clube de Xadrez Online, Xadrez Brasil, MF Adriano Valle, Rafael Chess, Deusa Caissa e muitos outros, os quais fazem um belo trabalho. Eu posso “passar o bastão” para eles sem medo, certos de que eles continuarão o bom trabalho que já fazem.
  Contudo, o canal Renan Araujo não acabará. Diminuirei consideravelmente o ritmo de postagens sobre xadrez — e até sobre outros assuntos. Mas certamente não abandonarei este projeto, até porque ainda preciso finalizar o Curso de Finais, por exemplo.
    Foi um prazer imenso passar mais de 5 anos com vocês, compartilhando conhecimento quase todo dia e, acima de tudo, aprendendo com vocês. Se tem alguém que recebeu mais do que entregou, certamente fui eu. Só posso agradecer a todos que me seguiram por tanto tempo, que acreditaram no canal, que comentaram muitas vezes incentivando, elogiando, criticando para melhorar. Sem vocês, nada disso seria possível. Mas a vida requer sacrifícios, requer pequenos finais (nesse caso, o final da intensa regularidade), para que possamos adentrar novos começos.
    Meu muito obrigado a você, e um até logo.

    Do seu amigo,
    Renan Araujo Monteiro

segunda-feira, 27 de maio de 2019

5º Guarabira Open de Xadrez

    No domingo 26 de maio de 2019 foi realizado na cidade de Guarabira-PB o 5º Torneio Guarabira Open de Xadrez. O tradicional torneio reuniu mais de 80 jogadores de diversos lugares do estado como Patos, Baraúnas, Lagoa de Dentro, Campina Grande, João Pessoa, etc. além de trazer grandes nomes do xadrez paraibano como Luiz Tomaz (atual campeão paraibano), Doriedson Lemos, etc.
    Nós fomos lá conferir essa grande festa, rever os amigos e conversar com os jogadores e com a organização do torneio.
Os jogadores reunidos para a batalha

O torneio contou com três categorias, assim todas as idades poderiam competir pelo título em suas respectivas faixas etárias. A categoria Infantil (até 13 anos) e a Juvenil (13 a 18 anos) tiveram 5 rodadas. Já a categoria Absoluto foi disputada em 6 rodadas. O controle de tempo foi 20x20 minutos e o emparceiramento foi feito utilizando o sistema suíço.
    Por volta das 17h, conhecemos os campeões de cada categoria. Os resultados foram:

INFANTIL
Colocação/Participante/Pontos/Vitórias/Buch./Buch.M.
1º Luís Fernando            4.0/5    4    16.0    9.5
2º Aureliane Monteiro    4.0/5    4    13.5    9.0
3º Ana Vitória                4.0/5    4    11.5    7.5
4º Misael Maicon           4.0/5    3    16.0    9.5

JUVENIL
Colocação/Participante/Pontos/Vitórias/Buch./Buch.M.
1º Carlos Janiel             5.0/5    5    13.0    9.5
2º Mateus Henrique     3.5/5    3    14.5    8.5
3º Elielson Félix           3.5/5    3    12.0    6.0
4º Elen Pereira             3.0/5    3    14.5    8.5

ABSOLUTO
Colocação/Participante/Pontos/Vitórias/Buch./Buch.M.
1º Luiz Tomaz (2185)              5.5/6
2º Rafaell Wanderley (2118)    5.5/6
3º Doriedson Lemos (2114)    5.0/6
4º Fagner Lima (1943)            5.0/6

Melhor Feminino: Patrícia Magda
Melhor Sub-1900: Rodrigo Bruno

O grande campeão foi o Luiz Antônio da Silva Tomaz. Ele é o atual campeão paraibano e veio prestigiar o evento com a comitiva de João Pessoa. Os organizadores do evento entregaram a premiação e o troféu de campeão ao Luiz.
Jociel, Luiz Tomaz e Marcos Roberto.
Confira entrevistas exclusivas e mais dessa grande festa no vídeo a seguir:

Deixo aqui meus parabéns à organização do torneio, conduziram de forma brilhante e, apesar de todas as dificuldades, foi uma festa muito bonita. Parabéns aos campeões que conseguiram se destacar e levar o troféu para casa, e também a todos participantes!

O blog Vila do Renan fica muito contente em participar da cobertura do evento.

Renan

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Os Melhores Canais para Aprender Xadrez

Olá, seja muito bem vindo! Hoje é dia de fazer recomendações, e sobre um assunto muito pertinente: a respeito de vários canais de xadrez da internet. Tentaremos ressaltar os melhores aspectos de cada canal de xadrez da atualidade, oferecendo aos nossos leitores as melhores opções da internet para aprender desse maravilhoso jogo. Vamos lá?

GM Krikor
A nossa lista começa com um canal de altíssima qualidade. O canal do Grande Mestre Krikor Mekhitarian é um dos mais completos que eu já visitei. Tenho profunda admiração pelo trabalho dele, acredito que foi o primeiro GM a criar um canal e passar a compartilhar seu conhecimento conosco. O conteúdo oferecido vai desde lives regulares até mesmo vídeos com comentários longos e análises muito completas de partidas. A forma dele explicar é bastante didática.
Recomendo demais mesmo para quem quer navegar em águas mais profundas e entender ainda mais sobre o jogo.

GM Evandro Barbosa
Em seguida, outro canal de altíssima qualidade, de mais um Grande Mestre, dessa vez o Evandro Barbosa. Ele começou o canal um pouco após o Krikor, mas não fica atrás em conteúdo de qualidade! Com ótimos vídeos e transmissões regulares como o Treino de Sábado, o canal do GM Evandro é uma excelente opção para melhorar no xadrez.

GM Rafael Leitão

Este não podia faltar. O jogador número 1 do Brasil em termos de rating tem muito a ensinar. Embora um pouco afastado dos tabuleiros, o GM Leitão tem se dedicado ao desenvolvimento de sua academia de ensino do xadrez, e possui ótimos vídeos em seu canal do YouTube. Com certeza vale a pena conferir e ver como um GM pensa!

GM Yago Santiago
O GM Yago entrou recentemente para este vasto mundo dos vídeos enxadrísticos e já mostrou que é capaz de contribuir de forma brilhante com esse universo. Espero de verdade que ele continue a postar vídeos, a mostrar para esse Brasilzão o trabalho de um GM e que ele possa compartilhar bastante conhecimento com a galera que tá sedenta para aprender.
Aqui encerramos a lista de GMs, mas continuamos com mestres.

Clube de Xadrez Online
Este aqui é um verdadeiro clássico! Desde os primórdios do xadrez nacional na internet o Clube de Xadrez Online tem sido um dos recantos dos enxadristas brasileiros. Excelentemente dirigido pelo Mestre Nacional Gérson Peres, o canal é um dos mais regulares do segmento, chegando a ter vídeos novos praticamente todos os dias, além de muitas transmissões ao vivo instrutivas e bem dinâmicas. De vez em quando o mestre faz lives para sortear cursos do Clube de Xadrez Online. Se você deseja levar o jogo a sério, vale a pena estar inscrito e engajado com este canal.

MF Adriano Valle
Mais um canal de mestre, dessa vez o do Mestre Fide Adriano Valle. Este canal foi um dos primeiros que conheci também. Gosto muito da calma do Adriano ao explicar os conceitos e as jogadas. O canal é muito completo. Vale a pena ficar de olho nas publicações, além de assistir aos vídeos antigos que são verdadeiras joias do xadrez nacional no YouTube.
Aqui encerramos a seção de mestres. Passaremos aos canais gerais.

Xadrez Brasil

O canal Xadrez Brasil é atualmente nada mais nada menos que o maior canal de xadrez do Brasil! Dirigido pelo Rafael Leite, o canal virou a sensação do xadrez nacional nas telinhas do YouTube. Com uma excelente regularidade, comentários dinâmicos e uma seleção precisa das melhores partidas de xadrez, o canal conquista novos fãs todos os dias. É um canal excelente para estar em dia com as partidas que acontecem (e aconteceram!) no mundo. Vale a pena conferir!

Raffael Chess
Outro canal que vem conquistando fãs nesse mundão chamado Brasil com seu jeito descontraído de comentar as partidas, porém não perdendo nada em qualidade. O Raffael tem feito um excelente trabalho. Além de comentar partidas, ele traz conteúdos muito divertidos como xadrez de 4 jogadores, partidas blitz, enfim, é um canal bem interessante, certamente você vai curtir bastante!
Notaram que os dois últimos são Rafael? Também temos um GM chamado Rafael (Leitão). Minha mãe diz que meu nome quase ia sendo Rafael, mas de última hora acabou sendo Renan. Sei não, mas ainda acho que os "Rafaeis" ainda dominarão esse jogo, ou os que cujo nome começam com R haha.

Deusa Caíssa
Este canal ainda tem poucos inscritos em comparação aos outros listados aqui, mas seu conteúdo não fica atrás. Decidi incluí-lo pois acredito no trabalho de quem o dirige, o Jessé Lorensetti. O cara já participou de altas competições, se saindo bem em várias delas, prova disso são as medalhas dele que aparecem nos vídeos, rsrs. Acredito fortemente no trabalho dele e acredito que ainda o verei estampado entre os maiores nomes do xadrez brasileiro na internet. Vai com tudo, garoto!

E aí, o que achou dessa lista? Faltou algum grande nome? Há algum canal que você gostaria de ver no meio dessa lista? Conta pra mim aqui nos comentários!

---
Observação: o blog Vila do Renan não recebeu nada de nenhum canal para ser divulgado aqui. Acreditamos na parceria mútua e desejamos sucesso aos canais e ao xadrez brasileiro.

terça-feira, 23 de abril de 2019

O Deus que Cuida dos Pequenos Detalhes

Recentemente aconteceu comigo uma coisa muito interessante. Permita-me contar-lhe o que houve.

    Era uma segunda-feira muito chuvosa aqui na cidade, e eu precisava sair de casa e ir para a universidade pois teria prova logo cedo, às 7 horas da manhã.
    Para minha sorte, um amigo meu ofereceu uma carona. Ele me disse que chamaria um Uber e pediu que eu aguardasse em um ponto de ônibus próximo da minha casa. Prontamente, calcei minhas botas, abri meu guarda-chuva e fui andando até o ponto. Até lá, eu me molharia bem menos do que se enfrentasse todo o trajeto rumo à universidade debaixo daquela torrente.
    Ele chegou, fomos até nosso destino. Chegamos bem, encontramos alguns colegas e ficamos ali conversando. Foi quando, de repente, eu notei que minha bolsa estava leve e me faltava alguma coisa: eu havia esquecido meu guarda-chuva dentro do uber! E agora? Estar sem um guarda-chuva em um dia chuvoso como aquele era "suicídio", era ir totalmente desprotegido para uma batalha forte. Ainda devo acrescentar que, como as chuvas daqui são violentas às vezes, eu investira em um guarda-chuva de melhor qualidade, para que ele não me deixasse na mão quando mais precisasse. Eu precisava fazer alguma coisa.
    Prontamente pedi para meu amigo que ele entrasse no aplicativo e procurasse como fazer em caso de perda ou esquecimento de objetos dentro do veículo. Lá tinha a opção de ligar para o motorista. Contudo, como a ligação era feita pelo próprio aplicativo, dizia que podia ser cobrada uma taxa de até mesmo 15 reais! Ainda assim era melhor do que pagar uns 30 reais em um novo e ainda esperar vários dias até que eu pudesse tê-lo em mãos. Eu precisava dele ali, na hora!
    Liguei para o rapaz através do celular do meu amigo, falei com ele, peguei o número dele. O motorista me falou que assim que a chuva desse uma pequena trégua e ele conseguisse mais uma viagem para a universidade, ele viria deixar meu guarda-chuva. Ótimo! Eu só precisava que, primeiro, a chuva desse uma pequena trégua e que ele voltasse para cá. Olhei o relógio: 7 horas. Era hora de ir fazer a prova. Até a sala não tinha como eu me molhar, embora a chuva ainda estivesse MUITO forte.
    Fui para a sala com meu pensamento no guarda-chuva. Foi quando lembrei de uma história que li no livro "A Necessidade da Oração" na introdução do capítulo que falava sobre confiança. E confiança em Deus! Confiança até mesmo em coisas que parecem pequenas. Eis a história.

Certa noite deixei meu escritório em Nova York, com um vento terrivelmente frio na minha face. Tinha comigo (achava eu) meu grosso e quente cachecol, mas, quando fui abotoar o casaco contra a tempestade, percebi que ele havia sumido. Virei para trás, olhei ao longo das ruas, busquei no meu escritório, mas foi em vão. Percebi, então, que eu possivelmente o deixara cair e orei a Deus para que o encontrasse; tal era o estado do clima, que seria um grande risco sair sem cachecol. Olhei novamente de cima a baixo nas ruas ao redor, mas sem sucesso. De repente, vi um homem no lado oposto da rua segurando algo nas mãos. Atravessei e perguntei-lhe se aquilo era meu cachecol. Ele me deu e disse: ‘Foi levado até mim pelo vento’. Aquele que anda por sobre a tempestade usou o vento para responder à minha oração.
— William Horst

    Foi quando orei, embora que em pensamento, ao Deus que anda por sobre a tempestade, para que ele trouxesse de volta o meu guarda-chuva. Eu sabia que ele não era obrigado a trazer de volta. Mas eu confiei e assim pedi. Pedi confiando que Ele não me desampararia.
    “Guardem os celulares, a prova vai começar”. Foi o que ouvi. Guardei meu celular e comecei a fazer a prova. Tal foi minha surpresa quando vi que a chuva foi diminuindo sua força. Agora eu poderia encontrar o motorista quando ele viesse sem me molhar completamente. Passaram-se uns 15 a 20 minutos quando recebi uma ligação. Pedi ao professor para atender, e ele gentilmente me concedeu. O motorista disse que chegaria ao local onde me deixara mais cedo em alguns minutos. Pedi ao professor para ir buscar meu guarda-chuva e deixei com ele meu celular para que não desconfiasse de mim. Com poucos minutos, ele chegou e peguei meu guarda-chuva. Dei a ele uma pequena quantia como gratificação, ele pediu apenas que contribuísse com a gasolina, pois ele não se importava em fazer um favor. Para a minha alegria, não foi cobrado nada no aplicativo do meu amigo, de sorte que, apesar de ter gastado energia e um pouco de dinheiro, ainda saiu bem mais barato do que poderia ter custado.

    O que podemos aprender com tudo isso?
    1. Aquele que anda por sobre a tempestade cuida dos seus até mesmo nos detalhes. Não estou aqui querendo dizer que minha oração é “forte”, tampouco quero colocar seu foco nas coisas materiais, ou num simples objeto. Contudo, temos nesse relato e na citação do William Horst um exemplo claro de um Deus que cuida dos seus filhos. Se Ele cuida até mesmo de meros detalhes, de um mero objeto, será que Ele não cuida da alma dos seus filhos? Um pai amoroso que busca seus filhos no lamaçal do pecado e os redime! Um pai bondoso que muda nosso coração e nossa mente. Um pai que nos disciplina quando erramos! Que privilégio ter a Deus como Pai! 
    2. Há um preço a ser pago pelos seus erros. Apesar de tudo isso, foi um erro meu ter esquecido o guarda-chuva no veículo. Apesar de que o Deus bendito tenha o trazido de volta, as consequências de tal erro não deixaram de aparecer. O que quero dizer é: Assuma a responsabilidade pelos seus atos! Ninguém poderá fazer isso por você. Eu tive que pagar com meus recursos, energia e preocupação. Gastei um pouco deles. O mesmo é válido quando pecamos contra Deus, quando o desobedecemos. Apesar de nos perdoar, muitas vezes colhemos os frutos do que fizemos. Inclusive, as consequências poderiam ser muito piores, mas a misericórdia de Deus faz com que sejam do tamanho suficiente para que aprendamos as lições das quais necessitamos.
    3. Podemos confiar no Deus de Israel. O Deus que sustentava o seu povo no deserto, o Deus que luta as batalhas do seu povo, este Deus misericordioso mostra-se atento às necessidades dos seus filhos, e espera que eles tenham confiança nEle! Até mesmo nas coisas que pareçam muito pequenas, insignificantes. Podemos confiar certos de que receberemos o que pedimos, desde que esteja de acordo com a vontade do nosso Deus.
_____

Renan Monteiro é um cristão reformado salvo pela graça do Deus Altíssimo. Atual membro da 1ª Igreja Evangélica Congregacional de Guarabira-PB.

sábado, 23 de março de 2019

A Magia das Pequenas Coisas

    É muito interessante quando me perguntam coisas como “Como você conseguiu tantos inscritos?” ou “Qual o segredo de ser bom nisso ou naquilo?”
    Embora eu não julgue ser tão inteligente ou ter tantos inscritos (pelo menos não quando comparado a grandes nomes do YouTube), essas perguntas têm algo em comum. A resposta envolve muitos fatores, mas se tem algo que posso destacar é a fidelidade nas pequenas coisas.
    Por exemplo, várias pessoas já me disseram que gostariam de criar um canal no YouTube, postar vídeos, contribuir com as pessoas e, potencialmente, ganhar algum dinheiro. Curioso que essa é, às vezes, a primeira coisa que falam. Mas quando pergunto se já possuem um plano em mente, se já produzem alguns vídeos, se escrevem roteiros para seguir ou até mesmo se já sabem sobre o que falar, a resposta é não. Isso se aplica a várias outras coisas, desde trabalhos escolares até mesmo um pequeno empreendimento. E, na maioria das vezes, quando pergunto porque não começaram, a resposta não convence. Ou dizem que não têm tempo, ou não têm todos os recursos, ou se preocupam com coisas demais que só fazem a diferença lá na frente.
    O meu conselho é sempre o mesmo: comece. Comece hoje mesmo. Seja o que você tiver em mente. Se você deseja publicar um livro algum dia, comece a escrever hoje textos aleatórios, uma página, meia página, não importa. Escritores escrevem. Se você deseja ter um canal no YouTube, comece a produzir vídeos hoje. Não se preocupe com edição, com coisas avançadas demais. Aprenda o mínimo necessário, como manusear a câmera, como funciona a interface do YouTube e poste um vídeo hoje mesmo. Produtores produzem. Se você deseja ser um líder, não espere ganhar um cargo de gerência algum dia para começar a liderar. Tome a frente em pequenas coisas do dia a dia, nos trabalhos em equipe, comece a tomar decisões, reúna grupos de pessoas com interesses semelhantes aos seus, mas comece. Líderes lideram. Se você deseja passar em um concurso, comece a estudar. Estudantes estudam. Isso se aplica a qualquer coisa.
    As pequenas coisas são muito importantes pois:

    1. Elas Funcionam por Juros Compostos
    Todo investidor sabe que o tempo é o seu melhor aliado. Que os juros compostos, mesmo a uma taxa que parece bem pequena, produz rendimentos grandes dado o devido tempo. Começar através das pequenas coisas é da mesma forma. No início é difícil, tosco, mas depois você (e as pessoas ao seu redor!) começará a notar a diferença. É o sinal que você está começando a ficar realmente bom naquilo.

    2. A Excelência começa por elas
    Você nunca poderá ser bom em nada se não dedicar tempo para masterizar as pequenas coisas. Além disso, as pessoas geralmente inventam desculpas para não fazer essas coisas pequenas pelo fato de serem pequenas. Realmente, na horas elas não parecem ter tanto efeito. Contudo, lá na frente, elas farão a diferença e, se você não fizé-las da melhor forma possível, jamais progredirá e alcançará prestígio naquilo.
    Passar pelo teste da excelência só é possível se você possuir disciplina e consistência. Disciplina para não adiar o que precisa fazer e consistência para perseguir isso todos os dias. Essas são habilidades que podem ser desenvolvidas, desde que você esteja disposto.

    3. Elas te dizem o que você precisa para ir ao próximo nível
    Se você procurar meus primeiros vídeos, verá uma diferença enorme de qualidade, tanto em termos visuais, como sonoros. Minha voz era estranha, eu travava várias vezes, mal falava uma frase completa. Os primeiros vídeos tinham dois minutos e eu sequer dava ênfase a comentar. Apenas um tabuleiro de xadrez, e pronto. A edição não existia. Mas foi o suficiente para começar e, além disso, cada momento me guiava para saber o que eu devia melhorar. A ajuda das pessoas que começavam a ver meu trabalho também foi muito útil. E a cada dia fomos melhorando nossos métodos. Assim funciona em todas as esferas.
    Seu primeiro vídeo, seu primeiro texto, ou seu primeiro trabalho podem até sair abaixo da qualidade em um primeiro momento. Isso se dá porque você está começando com o mínimo necessário. Essa falta de conhecimento inicial será resolvida com o tempo e com estudo, com preparação. Mas jamais permita que saia ruim devido à falta de vontade, preguiça ou incompetência.

    O grande Zig Ziglar já disse que “você não precisa ser grande para começar, mas precisa começar para se tornar grande”. Ninguém começa grande.
    Lembre-se: escritores escrevem, estudantes estudam, líderes lideram. Pense nisso.

---
Renan Monteiro é estudante de Engenharia Civil, YouTuber, amante do crescimento, professor em tempo parcial e aprendiz em tempo integral.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Panorama do Evangelho de João

Anotações geradas a partir do Estudo Bíblico na 2ª Igreja Congregacional de Guarabira realizado no dia 20 de dezembro de 2018.

Preletor: Presb. Melquesedeque Bezerra
Anotações: Renan Monteiro

Propósito do livro: para que as pessoas creiam através do testemunho dos sinais de Cristo e, nEle, tenham vida.

Divisão:
1. Introdução (1.1-18)
2. Ministério Público de Jesus (1.19 — 12.50)
3. Ministério Particular de Jesus (13.1 — 19.30)
4. Acontecimentos Finais (19.31 — 21.25)

• João mostra a manifestação da glória de Deus em seu filho Jesus.
• É o evangelho que mais possui detalhes de tempo, lugares e nomes de pessoas.
• Predomina o discurso direto, havendo poucas parábolas. A ênfase deste livro é no Rei (ou seja, Cristo) e não no reino, como nos outros evangelhos.
• João relata apenas 7 (sete) sinais de Cristo em seu livro, sendo 5 (cinco) deles inéditos deste livro.
• O espaço do capítulo 13 ao 19 descreve com riqueza de detalhes um período de aproximadamente 24 horas.
• O livro de João foi escrito para toda a igreja, diferente de Mateus, por exemplo, que tem certo foco nos judeus; de Marcos, que foca nos gentios; e de Lucas, que narrou o evangelho para Teófilo (Lc 1.3).
• O estilo com que João escreve é bastante semelhante ao das epístolas que ele escrevera.
• Acredita-se que João escreveu este livro entre 70 e 90 d.C., bem depois dos outros três evangelhos, mas ele foi o únicos dos quatro a ser testemunha ocular de tudo que aconteceu no ministério de Cristo, sendo referido no texto como “o discípulo que Jesus amava” (Jo 21.20,24).

Um pouco de história: o templo foi destruído no ano 70, que já havia sido previsto (Mt 24.1,2; Mc 13.1,2; Lc 21.5,6).
Ocorreram mortes de muitos judeus junto com a invasão romana em Jerusalém.
João escreveu o evangelho como forma de evangelização aos atacados.

A Cristologia Joanina (ou de João)
O foco do livro é a glória de Cristo. Por isso, Ele recebe diversos nomes, entre eles:
Verbo, Deus (1.1); Criador (1.3); Luz (1.4; 8.12);
Deus unigênito (1.18); Filho de Deus (1.34, 49);
Cordeiro (1.29, 36); Messias (1.41); Rei de Israel (1.49);
Filho do Homem* (1.51); Mestre (13.13-14); Profeta (4.19);
Salvador do Mundo (4.42); Senhor (9.38; 20.28)

Curiosidade: No trecho de João 1.35-51 são descritos os primeiros chamados e, no fim, uma alusão ao Velho Testamento, ao sonho que Jacó teve no livro de Gênesis.

* Filho do homem é uma referência a Daniel 7.13-14

---

Esperamos que tenha gostado. Nossa oração é para que você sinta-se mais disposto a estudar as riquezas presentes no livro do apóstolo João. Isto aqui é uma pequena introdução. Quanto mais você ler e buscar informações sobre ele, mais será abençoado.

sábado, 9 de março de 2019

Sobre Conteúdo Cristão “vs.” Conteúdo de Crescimento Pessoal

Pode parecer estranho, em um primeiro momento, que este blog possua textos cristãos, focados na Palavra de Deus, e que também possua textos sobre crescimento pessoal, principalmente sobre liderança e produtividade.
O motivo pelo qual esta postagem está sendo escrita é para diferenciarmos bem os dois tipos de conteúdo, e estabelecer princípios que nos guiem e que possamos retirar o melhor de ambos.

Durante minha jornada de estudos e aprendizado, eu sempre fui um curioso e apaixonado por técnicas de como fazer mais em menos tempo, como fazer as tarefas com eficiência. Eu também cresci com minha mãe me falando que eu deveria ser o melhor. Sim, desde pequeno eu fui incentivado a buscar a excelência, a ser o melhor que eu pudesse ser, seja o que for que eu esteja fazendo, fazer bem feito. Sou muito grato a meus pais, mas especialmente à minha mãe por tudo isso.

Acredito fortemente que não é pecado nos esforçarmos para encontrar e desenvolver formas de fazer o melhor possível, maneiras de sermos bons naquilo que nos foi designado. Por exemplo, um texto/vídeo sobre solução para a procrastinação pode ser útil e motivador para que evitemos a preguiça.
Mas há uma tendência muito forte de, nesse caminho, o ser humano começar a esquecer-se de Deus e desviar-se dos Seus caminhos. Por exemplo, há quem estude/trabalhe muito, ganhe um bom dinheiro e use para viajar nos finais de semana, sem se preocupar em buscar ao Senhor.
Ou, quando tomamos gosto pela coisa, ou se estamos focados em um trabalho que demanda tempo, como estudar para um concurso, ou provas, ou finalizando um trabalho, muitas vezes sacrificamos os momentos de ir à igreja, sacrificamos os momentos de oração e estudo da Palavra.

O ponto principal que eu quero destacar é: nenhum princípio do crescimento jamais será superior ao que está escrito na Bíblia!

Lembro-me de uma citação do John Maxwell em seu livro A Atitude Vencedora. Ele diz: “Presente do próprio Deus, a Bíblia é o melhor livro sobre desenvolvimento que existe”. Eu concordo demais com esta citação, mas vale ressaltar aqui alguns pontos:

1. A Bíblia é muito mais do que um livro de desenvolvimento. Ela é a revelação do próprio Deus e a reunião de todos os seus estatutos. Ela contém tudo o que precisamos saber para a jornada cristã. Qualquer vírgula ou til que dela passa é considerado maldito. E qualquer vírgula ou til omitidos dela é uma meia-verdade, logo não é A Verdade.

2. O desenvolvimento é um “bônus”. A Bíblia nos guia primeiramente a Cristo. Mas, uma vez que Deus nos mostra como proceder neste mundo, ela também oferece conselhos em muitas outras esferas da vida. Ela nos traz ensinamentos sobre política, comportamento, sabedoria, etc. Nela podemos encontrar grandes exemplos de liderança, de homens sábios que eram esforçados, que faziam seu trabalho da melhor forma possível.

3. O desenvolvimento deve estar submetido à Palavra de Deus. O que quero dizer é que um não complementa o outro. O desenvolvimento bom e proveitoso reúne princípios pelos quais podemos ser mais produtivos, e assim fazer e aprender ainda mais do Senhor. Não quero ser confundido com o advento da “Teologia Coaching” centrada no homem, tampouco prego um evangelho que faça com que nos sintamos muito bem obrigado, mas não nos dá o que precisamos. É tanto que, hoje, o desenvolvimento que eu estudo é apenas Liderança, Comunicação, Técnicas de Aprendizado e Produtividade. Fora isso, não vejo nada que contribua com a jornada cristã.

4. Jamais nos concentremos em acumular riquezas terrenas. O primeiro pensamento das pessoas que estudam desenvolvimento é o fazerem para se destacarem, extraírem o máximo do seu conhecimento e habilidades, e claro, ganharem dinheiro e viverem bem. Contudo, se você faz disso o seu deus, o seu tesouro, e colocar seu coração apenas nisso, ainda que ganhe muito dinheiro, poderá ainda assim ser infeliz e, pior ainda, poderá estar caminhando em direção à perdição.

É isto. Acredito que o desenvolvimento é muito importante, é fundamental fazer as coisas da melhor forma possível, pois assim glorificamos ao Senhor naquilo que fazemos. Damos bom testemunho da nossa ética regenerada.

O que você pensa disso? Deixe um comentário.

---
Renan Monteiro é um cristão reformado salvo pela graça do Deus Altíssimo. Atual membro da 1ª Igreja Evangélica Congregacional de Guarabira-PB.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...